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26 de agosto de 2024

O que torna o vinho caro no Brasil?

por CCHDC

Foi um jantar com 18 vinhos premium norte-americanos que chamou a atenção da Receita Federal para mais um caso de entrada irregular de vinhos premium no Brasil. Na manhã de 7 de agosto, a Receita apreendeu 450 garrafas, que não tinham a comprovação de importação e estavam armazenadas na adega do restaurante Tuju, onde aconteceria o jantar, e na importadora Clarets. O dono da Clarets é também sócio do restaurante.

As informações são de que a Receita chegou ao local por uma denúncia anônima. Após a apreensão das garrafas, a investigação segue seu curso. Outras apreensões que ganharam destaque recentemente são as de garrafas que entram pela fronteira com a Argentina e são oferecidas por listas de WhatsApp. Um fato chama atenção: com a mudança de governo no país vizinho, no início do ano, e as medidas que reduziram a diferença entre o valor do dólar oficial e do paralelo na Argentina, as denúncias desse tipo de contrabando diminuíram sensivelmente.

“É impossível ter dados oficiais do mercado ilegal, mas percebe-se uma redução dessas apreensões, enquanto o ganho financeiro dessa contravenção diminuiu”, diz Felipe Galtaroça, CEO da consultoria Ideal BI.

Notícias assim despertam a questão de por que os vinhos são tão caros no Brasil. Dois exemplos de ícones de Bordeaux comprovam isso. O Château Margaux 2017 é vendido por R$ 10.990, na World Wine; e o Cheval Blanc 2019, por R$ 19.460, na Mistral. No site Wine-searcher, referência em preços no mercado internacional, o mesmo Margaux sai por US$ 637 (o equivalente a R$ 3.562, na conversão do dólar para o real); e o Cheval Blanc, por US$ 888 (R$ 4.966), no preço médio nos Estados Unidos.

Impostos em cascata, altas taxas, tributos e baixo consumo estão entre as principais causas

É uma diferença gritante, mas que não justifica qualquer contravenção. “Impostos em cascata, altas taxas nos tributos, intermediários ao longo da cadeia de distribuição e o baixo consumo são os principais fatores que elevam o preço do vinho no Brasil”, afirma Galtaroça. Ele lembra que os vinhos nacionais também arcam com custos altos, a começar pelo Imposto de Renda Rural, de 27,5%.

O advogado tributarista José Renato Camilotti, especialista nesse setor, explica como funciona a carga tributária. Começa com o imposto de importação, de 27%, passa pelo chamado valor aduaneiro, paga 1,65% de PIS, 7,60% de Cofins, entre 4% e 25% de ICMS (conforme o Estado) e mais 6,5% de IPI, além dos custos alfandegários, taxas de armazenagem, etc. Os custos aumentam no percurso até chegar ao consumidor, com logística, transporte e estoques. E o valor é pago pelo consumidor final.

Fonte: Estadão

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